NASCIMENTO DO BONDE Parte - 2 |
NASCIMENTO DO BONDE (Parte - 2) A primeira evolução importante do ômnibus foi o bonde. Os primeiros bondes também foram puxados por cavalos, como os ômnibus. Em vez de trafegar nas ruas com um piso bastante irregular, os bondes rolavam sobre trilhos de aço especiais assentados no leito das ruas. As rodas do bonde também eram de aço e manufaturadas cuidadosamente em grandes máquinas, de modo que não escapassem dos trilhos Os trilhos reduziam a fricção consideravelmente, permitindo aos cavalos puxar os carros com mais facilidade. O bonde por ser mais eficiente, e transportar mais passageiros começou a substituir gradualmente o ômnibus de tração animal nas cidades. Pelos idos de 1860 a maioria das cidades norte-americanas tinha bondes de tração animal em operação. O bonde de tração animal era muito mais confortável pela suavidade do seu deslocamento sobre trilhos, não apresentava as irregularidades do solo que produziam os desconfortáveis trancos, solavancos e vibrações dos ômnibus. O Bonde era mais silencioso, alem do mais, um único cavalo podia puxar um bonde que era muito maior, e transportava mais passageiros, que um ômnibus. O primeiro bonde entrou em operação, percorrendo a rua Bowery na cidade de Nova Iorque no ano 1832. De imediato não teve uma grande aceitação por parte do público, somente por volta de 1852 passa a ser bem aceito pela população. O primeira linha de bondes era de propriedade de John Mason, que bancou os custos de construção da linha. Este investidor, era diretor presidente de um importante banco da cidade de Nova Iorque. O primeiro bonde foi construído por um ferreiro Irlandês chamado John Stephenson.; Que havia imigrado para a América, e lá aprendeu a construir trenós de madeira, bons e carros. A fabrica do Sr. Stephenson se tornaria a maior e mais famosa fabrica de bondes de tração animal do mundo, ficava localizada na Cidade de Nova Iorque, e lá foram construídos os bondes de tração animal que percorreram a América, Europa, Ásia e América do Sul. O novo veículo do Sr. Mason percorria toda extensão da Rua Bowery na cidade de Nova Iorque, no inicio era uma mera curiosidade, que logo passou a fazer sucesso, logo outros bondes semelhantes começaram a correr em outras cidades americanas. A segunda cidade americana a ter bondes foi Nova Orleans, na Louisiana, no ano 1835. A terceira cidade foi Brooklyn, Nova Iorque. Hoje o Brooklyn é parte da Cidade de Nova Iorque. Até o ano 1898, Brooklyn era uma cidade separada. Cinqüenta anos depois do primeiro bonde correr pélas ruas de Nova Iorque, no ano de 1882 existiam na América 415 companhias de transporte público que utilizavam 18 000 bondes, que percorriam 4800 quilômetros de trilhos. Esta frota de bondes transportava 1,2 bilhões de passageiros por ano. Detalhe 100.000 cavalos, puxavam estes 18.000 bondes. Um bonde típico era operado por uma tripulação de duas pessoas. Enquanto um homem à frente, conduzia o bonde (cocheiro) dirigindo o cavalo por intermédio de um par de rédeas (no caso de bondes maiores, às vezes eram usados dois ou três cavalos para arrastar um único carro). O condutor também tinha uma manivela de freio que ele poderia usar para parar o bonde em caso de emergência. O segundo membro da tripulação era denominado condutor. Viajava montado na parte de trás do carro. E seu trabalho era ajudar os passageiros a subir e descer do bonde. Ele também cobrava as passagens (tarifas) dos passageiros e dava um sinal ao motorista quando todos a bordo estavam acomodados em segurança para o bonde partir. O condutor dava o sinal puxando em uma corda presa a um sino, que o motorista, e passageiros podiam ouvir. Logo os Bondes de tração animal se tornaram o primeiro sistema de transporte de passageiros em massa nas grandes cidades. Os carros eram feitos de madeira de lei, cuidadosamente acabada, polida envernizada e muito bem pintada. Os Passageiros se sentavam em longos e confortáveis bancos de madeira dentro dos carros. Nos dias ensolarados, as janelas poderiam ser abertas para deixar entrar a brisa fresca. No inverno, muitos bondes possuíam aquecimento gerado por pequenos fogões de ferro operados pelo condutor, que mantinha aquecido o interior do carro. O condutor cuidava para que não faltasse carvão no fogão para manter o fogo, e manter os passageiros confortavelmente aquecidos. Às vezes um bonde destes sofria um acidente, e estes fogões derrubavam o carvão quente e incendiavam o carro inteiro. Os passageiros tinham de tomar precauções adicionais quando da utilização de bondes de tração animal na época do inverno. Alem das precauções e cuidados rotineiros necessários a utilização de veículos, existia o risco dos veículos derraparem no gelo e produzirem acidentes. A maior desvantagem destes bondes, era o fato de serem puxados por cavalos. Os cavalos eram caros, envelheciam e estavam sujeitos a doenças. Os cavalos também podiam transmitir doenças para os passageiros do bonde, para os transeuntes e para as pessoas que viviam nas proximidades dos estábulos e cocheiras onde os cavalos eram mantidos. Isto para não falarmos da enorme quantidade de esterco que milhares de cavalos deixavam pelas ruas. Durante o chamado período da Revolução Industrial, outros tipos de veículos de transporte coletivo tinham sido inventados, sob a forma de máquinas novas e poderosas. Muitos Navios e Barcos a vapor estavam viajando pelos oceanos mais rápido que os antigos navios à vela, locomotivas a vapor estavam correndo de uma cidade a outra sobre novas linhas férreas, com alta velocidade. Mas os Bonde das grandes cidades, ainda estavam sendo puxados por cavalos. Muitas cidades passaram a experimentar diferentes tipos de bondes alimentados por eletricidade durante o ano de 1880. Nenhum destes bondes provou ser confiável, até que finalmente em 1888 Frank Sprague instalou um sistema de bonde elétrico na cidade de Richmond, na Virgínia. Este fato foi uma revolução no transporte público urbano, pois havia surgido a primeira linha de bondes elétricos, em substituição a uma linha de bondes tracionados por cavalos. Devido à alta velocidade e versatilidade, o bonde elétrico em um curto espaço de tempo ficou muito popular em todo o país, e foi gradativamente sendo adotado em muitas cidades norte-americanas. O bonde elétrico veio para substituir os bondes de tração animal, como também os bondes de tração a cabo, e de tração a vapor. O sucesso do novo bonde se devia a uma fonte revolucionária de energia invisível que foi chamada eletricidade. E isto graças à invenção do dínamo (gerador) o qual permitiu gerar e levar a energia elétrica por intermédio de fios por uma rede sobre as linhas de Bondes para alimentar o seu motor elétrico. Os geradores eram movidos por grandes motores a vapor instalados em usinas ao longo das linhas. Esta nova facilidade fez proliferar o Bonde na Inglaterra, Europa, Estados Unidos. Frank Sprague nasceu em Connecticut em 1857, em 1878 ele se formou na Academia Naval em Anápolis, Maryland, como oficial naval. Mas a sua grande paixão não era o mar; era o transporte por terra. Em 1883 deu baixa da marinha, e foi trabalhar para Thomas Edison. Por muitos anos ele tentou desenvolver um modo seguro e prático para utilização da eletricidade para movimentar trens e bonde. Até que finalmente em 1888 em Richmond, obteve sucesso. Em 1890, dois anos depois de Frank Sprague fazer correr o primeiro bonde elétrico comercial, em Richmond, Virgínia, milhares de bondes semelhantes estavam correndo por toda parte em cidades da América e do mundo inteiro. Os Bondes permitiram o sistema de transporte urbano em massa crescer muito rapidamente, o que nunca tinha acontecido antes. Em um curto espaço de tempo, o bonde elétrico tinham forçado o fim de todos os bondes de tração animal, que tinham se tornado velhos e obsoletos a ponto de se aposentar. A maioria das linhas de bondes de tração por cabo, ou por tração animal foram rapidamente convertidas em linhas de bondes elétricos Entre 1890 e as primeiras duas décadas de 1900, linhas elétricas convencionais substituíram as linhas de Bondes de tração animal nas principais cidades da Europa e Estados Unidos. Aparecendo nas maiores cidades da Ásia, África, e América do Sul. Os bondes elétricos substituíram os bondes de tração animal; rapidamente. Como também logo foram melhorados os motores e o conforto dos carros. Gradualmente os carros minúsculos de quatro rodas (Truck Simples) foram substituídos por carros de oito rodas (Truck Duplo) mais pesados, e que tinham uma maior capacidade de transporte levando mais passageiros. A estrutura de madeira dos bondes, foi substituída por estruturas de aço. Possuir uma linha de bonde era essencial para que uma cidade pudesse crescer, os sistemas de bondes das cidades maiores, estenderam linhas cada vês mais distantes para atingir os subúrbios. O desenvolvimento do bonde na Europa permaneceu por um período mais longo. Muitas cidades européias construíram sistemas de bonde altamente eficientes, e o carro elétrico se tornou o principal veículo de transporte urbano. Os Bondes britânicos normalmente eram do tipo de carros duplos (reboque) operados por dois homens, enquanto um dirigia, o outro coletava a tarifa. Que também foi aperfeiçoada, foram criadas taxas (tarifas) de acordo com um sistema de zona. Os Bondes europeus eram semelhantes ao sistema britânico, mas os carros eram comuns, embora tivessem um aperfeiçoamento importante. Para aumentar a velocidade, foi aperfeiçoado o sistema do coletor que recebe a energia elétrica do cabo aéreo sobre o veículo por uma peça curva denominada arco, ou por uma armação articulavel e ajustável chamada pantógrafo, em contraste com o uso da haste única dos bondes dos Estados Unidos. Durante a Primeira Guerra Mundial, as empresas de transporte operadoras de bondes encontraram dificuldades financeiras, devido a problemas de saldar os salários e o custo dos materiais. As companhias ficaram comprometidas pelas tarifas congeladas, e fixadas, por franquias municipais. Finalmente, a ação governamental permitiu aumentos de tarifa; mas até lá o uso dos automóveis tinha se generalizado e espalhado, muitas cidades trocaram os sistemas de transporte público por ônibus movidos a óleo diesel. As despesas operacionais diretas do ônibus, por quilometro rodado, eram maiores que as despesas dos bondes, mas os gastos excessivos de construção e manutenção das linhas transformaram em última instância o bonde em um veículo anti-economico. Nos Estados Unidos o bonde começou a ser suplantado por automóveis e ônibus nos anos trinta, e esta tendência acelerou durante os anos quarenta e os anos cinqüenta. Na Inglaterra a substituição dos bondes por ônibus foi acelerada durante os anos trinta pelo desenvolvimento de ônibus de dois andares melhorados, nos anos cinqüenta não havia nenhum bonde correndo no lado esquerdo de Londres. O último sistema de bondes britânico era o sistema de Glasgow que utilizava modernos bondes de carro duplo (com reboque). Paris fechou a última de suas linhas de bonde nos anos trinta, e em outras partes de França e na Itália muitas cidades trocaram a operação por ônibus. No final do século 20 ainda havia muitos sistemas de bonde em operação, principalmente nas cidades de Europa central, oriental e Rússia. Onde os sistemas de bonde são municipais, sem a competição de ônibus. Nos anos oitenta algumas cidades nos Estados Unidos começaram a adotar veículos urbanos leves sobre trilhos; O custo de construção e implantação deste sistema de bonde elétrico moderno é menor que o custo dos sistemas de trem metropolitano (Metrô) elevados ou subterrâneos. Foram construídos estes sistemas em cidades americanas como San Diego, Sacramento, e San Jose, na California, Portland, Oregon, e Búfalo. No Brasil, na cidade de São Paulo esta sendo construído uma linha de VLT semelhante, entre o Sacoma e Parque D. Pedro, o veículo é chamado de Fura-Fila. CURIOSIDADES. Em 1860 o americano G.F. Trem, foi para a Inglaterra para construir linhas de bondes de tração animal em Londres e Birkenhead. Estas linhas receberam da população o nome de tramway. Obtiveram um grande sucesso e em seguida foram implantado em Salford em 1862 e Liverpool em 1865. O Bonde de cabo, é uma invenção de Andrew Hallidie, foi introduzido em São Francisco em 1873. Os carros eram tracionados por um cabo de aço infinito correndo sobre roldanas em uma fenda entre os trilhos. O cabo é movido por um grande motor a vapor em uma instalação fixa. O bonde se agarram no cabo e são tracionados junto. Este sistema dispensa os cavalos, pode subir grandes aclives, atingem velocidades de até 30 quilômetros por hora. A; maioria dois Bondes a cabo foi substituída por Bondes elétricos. Apenas a linha da cidade de São Francisco (USA) continuou em operação até os dias atuais As primeira experiência com um bonde elétrico, foi em 1834 quando Thomas Davenport, um ferreiro de Brandon (E.U.A)., construiu um pequeno veículo sobre trilhos movido por um motor elétrico alimentado por baterias. Em 1835 Straiting e Becker demonstram nas cidades de Groening, Botto e Turim rudimentares veículos elétricos, repetem a demonstração em Paris em 1885, onde a energia era gerada por decomposição química (baterias). Foi somente em 1879 que Werner Siemens construiu em Berlin na Alemanha a primeira estrada de ferro eletrificada operacional. Durante a feira mundial de Berlin, esta linha férrea transportou mais de 100 000 passageiros, em uma linha com bitola de 450 mm, alimentada por corrente continua de 150 volts, alimentação feita pelos trilhos, o veículo tinha um regulador com reostato resistivo liquido, motor de 5 cavalos, velocidade máxima de 13 Km/h. O linha deste bonde tinha 400 metros de extensão. E este veículo é considerado o primeiro Bonde elétrico. Metrôs também provaram ser uma solução popular a trânsito rápido. O primeiro metrô elétrico entrou em serviço em Londres no ano 1890. Boston, se tornou a primeira cidade norte-americana a ter um metrô elétrico em 1897. Nova Iorque em 1900. O transporte elétrico interurbano conectou cidades próximas, e serviu como um eficiente meio de transporte durante várias décadas antes do automóvel se tornar popular. Uma extensa linha de trilhos ligavam as cidades próximas, e o bonde passou a integrar a paisagem entre estas cidades. Um bom exemplo de transporte intermunicipal em São Paulo, era a linha de Bondes 101 unindo São Paulo a Santo Amaro. Os bondes nestas linhas atingiam velocidades de até 80 km/h. O transporte interurbano entrou em declínio nos anos vinte por causa de competição de automóveis e ônibus interurbanos. Quando o automóvel tornou-se popular entre 1910 e 1920, muitas companhias de transporte interurbanas faliram. O automóvel proveu um grau de flexibilidade que não era possível com transporte público. Nos anos trinta se fez um esforço para revitalizar sistemas de bondes, desenvolvendo um veículo moderno para substituir então os antigos bondes em uso, mas a maioria das cidades já estava trocando os veículos elétricos por veículos com motor a gasolina e óleo diesel dos ônibus. Isto porque os ônibus permitiam uma grande flexibilidade em seleção de rota e liberdade fora dos cabos elétricos. Em 1937 Paris se tornou a primeira grande cidade a deixar de usar bonde. O último bonde norte-americano foi o bonde o de São Francisco em 1952 |
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