Gravura em Bico de Pena 1895, Livro  O Estado de São Paulo Em 1895 de Tancredo do Amaral. Acervo Werner Vana
Reservatório do Açude  da  Cantareira em 1895
UM DOMINGO EM 1899

"Aos domingos visitava-se parentes, ia-se a matines, ou  fazia-se piqueniques, com predileção por  dois locais: O Bosque da saúde ou o parque da Cantareira. O  acesso a estes locais era muito semelhante, utilizava-se o bonde e o trem. Nos quais sempre  havia lugares.  Para ir ao Bosque da Saúde tomava-se o bonde, para a Liberdade, e em seguida o trem de Santo Amaro. Para ir ao parque da Cantareira, tomava-se o trem da Cia Cantareira.

Combinava-se  três ou quatro famílias, e se distribuíam os encargos da comida: Eu levo um pernil, você  leva dois frangos com farofa, e você  leva  o pão as sardinhas e presunto  para os sanduíches.  -Quem leva a salada de batatas ?
E se distribuíam as sobremesas entre umas e outras: bolos, goiabada, marmelada, queijo, laranjas e bananas.
Para o Bosque da Saúde  se levava água, pois a água de lá era meio duvidosa.  Já na Cantareira existia água fresca pura e cristalina à vontade.
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Para ir ao Parque da Cantareira tomava-se o Trem ali em baixo da Ladeira General Carneiro, a 150 metros do centro da cidade. Os vagões eram abertos como nos bondes urbanos. As pequenas locomotivas funcionavam a vapor.
Durante a viagem os passageiros entoavam cantigas em coro.

Ao chegar ao Parque da Cantareira as famílias  ocupavam ranchos rústicos de sapé, com mesas compridas e bancos de tabuas. Passava-se o dia tomando o ar puro do alto da serra, as crianças brincavam no parque, após o lanche os homens faziam uma "sesta" na relva, as mulheres conversavam amenidades.
No final da tarde tomava-se o trem de volta para capital, enquanto a composição descia a serra descortinava-se a paisagem rumo a capital".
"São Paulo Naquele Tempo 1885-1915",   Jorge Americano
Os Piqueniques no  alto  da  serra,  junto a represa do Parque da  Cantareira eram muito populares de 1910 em diante. Na década de 20 surge uma outra opção de "recreio" na Serra da Cantareira.
Nos domingos ensolarados de julho a novembro, existia uma opção de passeio muito apreciado pela população.
Embarcava-se no Tramway da Cantareira  com  destino  a região da Fazenda Pilão d'água, local onde o trem atravessava  campos plantados com videiras. Mesmo com o trem em movimento podia-se ver os cachos de uva dependurados no pé, ao sol, quase ao alcance da mão.
As  videiras  se  extendiam até praticamente o Horto Florestal.
Dentro da Fazenda Pilão d'água estava a Estação Mandaqui do Trem da Cantareira.
Onde apos o desembarque, as familias se dirigiam até a sede dos sítios para acertar o preço da diária, experimentar e  comprar o vinho artesanal feito por imigrantes Suíços,  que  também  criavam  gado  e produziam queijos.

Os  Imigrantes  mantinham   no meio do parreiral, caramanchões com mesas e bancos para os clientes usarem gratuitamente.
Os adultos compravam algumas garrafas de vinho para beberem com o lanche que traziam, ou para levar para casa.

Mas o grande divertimento era escolher e consumir os cachos de uvas colhidos no pé. Para tanto pagava-se uma taxa de $300,00 (trezentos Réis) por pessoa, e saboreava-se uvas a vontade. O preço era equivalente a uma passagem do tramway. Atualmente o equivalente a uma passagem de ônibus.

A tarde o  ultimo Trem voltava lotado de famílias, e os homens trazendo garrafas e garrafões de vinho.

Curiosidade:
Um outro registro importante é que na pedreira do Horto (Pedra Branca) existia em abundancia pedras especiais com veios de "Sulfureto de Chumbo" vulgo "Galena" que era necessário para o funcionamento dos rádios galena
. E muitas pessoas buscavam este minério na pedreira.


Relato de Josef Vana.
Pesquisa Werner Vana
UM DOMINGO EM 1920
(1) Nesta época a água encanada não  sofria nenhum tipo de tratamento, pois a propria população 
tinha receio de beber águas tratadas com produtos quimicos como o Cloro ou Alumina.
E na teoria da conspiração, dizian que o Governo tentava narcotizar o povo para o dominar!