Em 1734 na colina  de  Santana,  no  local do atual  quartel do  CPOR de São Paulo, os jesuítas construíram o casarão de sua fazenda,  anexo a Capela de Sant' Ana. Em 1761 a coroa expulsou os jesuítas, e  tomou posse das terras. Em 1821 ali residia José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 1850 alojou o Seminário dos Educandos. Em  1875,  alojou  o  Hospital  de  Variolosos.   Com a  mudança  do  hospital, o casarão alojou a "Companhia Cantareira" que ali instalou em 1892 suas oficinas e escritórios até 1894.
Nestas oficinas  foram montadas  as  duas  locomotivas  Kern & Stuart  que  vieram  desmontadas  da  Inglaterra especialmente  para  construir  a  linha.   Alem  do  estoque de  trilhos,  dormentes e todos os demais materiais, nestas oficinas estavam as  maquinas especiais para cortar e curvar trilhos,  o  martelete  a  vapor  para  rebitar módulos das pontes etc.
Para construir  a  ferrovia,  com bitóla de 60 centímetros, foi contratado o engenheiro inglês, William Whitmann que  convocou  João Maxwell  Rudge para  ajuda-lo no  projeto  e  construção, e o Eng° Teodoro Sampaio para efetuar a agrimensura e o levantamento topográfico.
Efetuados  os  reconhecimentos   indispensáveis,  deliberou-se  dar  inicio  a construção  da  linha, em frente ao casarão da fazenda Santana na Rua Alfredo Pujol.
O assentamento  dos  trilhos  teve  inicio  com  duas  equipes  partindo em direções opostas. Uma equipe partiu assentando os trilhos em direção a "Fazenda Pilão D'agua" (1)  (Atual  Sta. Teresinha e Mandaqui), e a segunda equipe de trabalho partiu assentando os trilhos na  Rua Alfredo Pujol em  direção  a  atual  Av. Cruzeiro do Sul.
A CONSTRUÇÃO DO TRAMWAY
Casarão e Capela da  Fazenda  Santana
Pesquisa Werner Vana
Podemos  observar  o  aterro para  elevar o nivel da linha, ao lado o trecho entre Areal e Tamanduatei.
A ferrovia tinha grande necessidade  de  Pedras  para  lastro,  e  as  únicas  Pedreiras  da  Cidade de  São Paulo estavam na Fazenda Pilão D'agua no atual "Lausane Paulista" (2), e outra no córrego do "Guaraú" atual "Jardim Pery". Por este motivo o projeto original de 1890 já previa a construção de ramais para as duas Pedreiras. A Cia. Cantareira constrói o  "Ramal Dos Menezes" para Pedreira Lausane, e o "Ramal do Guaraú"  para a Pedreira de Pedra Branca, atual  jardim Pery.
E prevendo o pesado transporte de comboios carregados, o gradiente máximo adotado para subidas  foi de 2,5%
As pequenas locomotivas da estrada de ferro, necessitavam ser reabastecidas de água a cada 4 quilometros. por este motivo  foram construídas as estações intermediarias de  Santana, Mandaqui e Tremembé, alem da estação inicial Parada Zero e a estação final Cantareira.

Terminada  a  construção  da  represa  e  adutora,  os  trilhos  continuaram a  ser utilizados então para modestos vagões abertos (iguais aos bondes a burro) transportadores de Passageiros.  Cada  hora  e meia  corria  um  trem que durante anos, levou o progresso aos bairros do norte da cidade.
Alem  de  progresso  o  trem transportou muitas pedras, manilhas e tijolos. todos paralelepípedos do calçamento das  ruas  da  capital  e  dos Bairros  de  São  Paulo  foram  extraídas  da  pedreira do Lausane Paulista, e foram transportados  pelo tramway da Cantareira.

Terminada a construção do tramway, Maxwell Rudge estudou  profundamente o futuro da zona norte,  compra e loteia a fazenda Mandaqui, criando o atual Bairro da "Casa Verde".

(1) "Fazenda  Pilão de Água",  onde  imigrantes  Suíços, em 1875  plantaram  videiras, produziam vinho, criavam gado leiteiro, local de uma das estações do Tramway da Cantareira,  localizada  na  atual  rua Professor Valério Giuli. em 1928, as terras foram loteadas e a fazenda se transforma no atual Bairro do Mandaqui.

(2) Lauzane Paulista  homenagem  a  agricultores  vindos  em  1875  de  Lauzane  na  Suíça.  No  local  do  atual Supermercado Bergamini havia a Pedreira Menezes, que forneceu pedras para  o calçamento  de  toda  cidade. Junto à pedreira havia uma fonte que engarrafava a água mineral da Fonte Lausane
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Na atual Av. Cruzeiro do Sul no local denominado "Areial".  Começava um grande problema, o terreno era uma imensa várzea que sofria constantes inundações com as cheias dos Rios Tiete e Tamanduateí.  Não era possível  assentar  os   trilhos  no  brejo,  seria  necessário  um  aterro  para  elevar o  leito dos trilhos em pelo menos um metro e meio de altura, por três quilômetros. E assim foi feito. A Terra retirada dos cortes e barrancos da  frente  de trabalho rumo  a  Cantareira,  era  trazida  pelas locomotivas  Inglesas, e  despejado  no trecho  entre  Areal e o Rio Tiete, e depois do  Rio Tiete  ate  o  Rio Tamanduatei.  E  esta  foi  a razão de não ser possível começar  a  construção  da  linha, no  sentido Tamanduateí  para  a  serra da  Cantareira, pois  nas cercanias não existia material para o aterro.
Projeto de 1890 já previa os Ramais para as Pedreiras
Pedreira Lauzane
Pedreira Guaraú
João Maxwell Rudge
Eng° Teodoro Sampaio
Eng° William Whitmann
1893 Agrimensores responsáveis pela montagem da adutora, e trilhos do Tramway. Na  esquerda os três primeiros Rudge, withmann e Teodoro Sampaio.
1893 Sob o comando do Engº Teodoro Sampaio, as obras da caixa de junção do Bispo