O  fazendeiro  e  engenheiro  Francisco  Galvão,  acompanha  o  crescente  uso  de  tijolos  e  manilhas  nas construções paulistanas.    Observa  que  são  produtos  escassos,  e  de custo elevado, em razão da produção artesanal, e pelo transporte em carroças de distantes olarias.

Incentivado  pelo  grande  consumo  de  tijolos  e  manilhas  na  cidade  de  São  Paulo,  Em  1910 resolve fabrica-los. Para tanto instala uma grande olaria na fazenda Cabuçu de sua propriedade, próximo ao local onde mais tarde seria construída a estação Vila Galvão do Tramway da Cantareira.
Visando custos baixos e alta produção, importa da Alemanha maquinas que  produzem 3.000 tijolos por hora,  e funda a CERÂMICA PAULISTA, com o nome fantasia de CERÂMICA REMY.

Para escoar a produção mensal de 1500 Toneladas, ou 900.000 tijolos, utliza o Tramway da Cantareira, que por intermedio de um ramal de 310 metros  entra na cerâmica  e carrega os vagões com tijolos e manilhas, transportando-os até os pontos mais próximos ou convenientes dos canteiros das grandes obras da capital.

Existia ainda uma outra grande Cerâmica na Rua Duarte de Azevedo, bem proximo da estação Santana do Tramway,  onde   através  de  um  ramal  de 210  metros,  o Tramway chegava a porta desta cerâmica para descarregar argila, e carregar os produtos ali fabricados. Até 1956 o Tramway carregava diariamente, nesta cerâmica.

O Tramway da Cantareira carregou material  de  construção  de  grandes  obras,  como:     Liceu de Artes e Ofícios e  a  Pinacoteca 1897-1900;  Quartel Tobias de Aguiar (ROTA) 1887-1892;   Secretaria  da  Agricultura 1891-1896; Teatro Municipal 1903-1911; Mercado Municipal 1925; Palácio das Industrias 1910; Edifício Ramos de  Azevedo 1895-1897;  edifício  dos  Correios 1916-1922;  Escola Caetano de Campos 1892-1894; palácio da Justiça 1920-1933;  Penitenciária do Carandiru 1911-1920; Catedral da Sé; Santa Casa De Misericórdia.

O continuo crescimento da cidade de São Paulo, produziu um continuo aumento  na  procura  de  tijolos  e manilhas.  A Remy para atender  o  mercado  planeja  aumentar  a  sua  capacidade  de  produção,  efetua empréstimos  junto  a  bancos,  e  importa  modernas  maquinas  para  fazer  tijolos  e  manilhas.  Eclode  a Primeira  Guerra  Mundial,  gerando  uma  tremenda   recessão,  ninguém  compra  manilhas  ou  tijolos.
A cerâmica REMY entra em falencia,  os bancos credores tomaram  a cerâmica, e loteiam a fazenda Cabuçu.  Deste loteamento surgiu o bairro de Vila Galvão.
MANILHAS e TIJOLOS